A Sabesp divulgou resultados do 1T20 abaixo das nossas expectativas e do consenso de mercado, e esperamos uma reação negativa para as ações no curto prazo. Por outro lado, uma eventual queda implica em uma melhora do risco-retorno das ações no médio e longo prazo, tendo em vista que o preço atual não embute uma probabilidade de privatização da companhia.
Em 14 de maio, após o mercado, a Sabesp divulgou os resultados do 1T20, com um prejuízo de R$(657,9) milhões em linha com a nossa estimativa de uma perda de R$(633,4) milhões, desapontando o consenso de mercado da Bloomberg de um prejuízo de R$(219,0) milhões no período.
O EBITDA ajustado de R$1,47 bilhão milhões ficou abaixo da nossa estimativa de R$1,71 bilhão milhões (-14%) e do consenso de mercado de R$1,79 bilhão. O desvio em relação às nossas expectativas refletiu uma combinação dos seguintes fatores:
(i) Volumes de água e esgoto -1,4% abaixo e + 1,9% acima de nossas estimativas, respectivamente (e crescendo + 1,1% / 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior);
(ii) Tarifas médias -6,2% abaixo de nossas estimativas (ponto que aguardaremos maiores explicações da companhia, pois implica uma queda de -6% em relação às tarifas médias do trimestre anterior e nãos e concilia com a incorporação do município de Santo André nos resultados);
(iii) Custos gerenciáveis -4,9% abaixo de nossas estimativas, mas crescendo + 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com destaque negativo para a linha “Outras Despesas” (+ 57% maior em relação ao ano anterior, refletindo maiores provisões para ações judiciais);
(iv) Provisões para inadimplência de R$157,5 milhões (4,1% da receita bruta) acima da nossa estimativa de R$100,1 milhões (+ 2,5% da receita bruta), tendo em vista as instabilidades econômicas desencadeadas pela pandemia do COVID-19.
Continuando para a linha de Lucro Líquido (ou, no caso, prejuízo), os resultados também refletiram os seguintes fatores: (1) Despesas financeiras líquidas de R$(185,0) milhões vs. nossos R$(205,6) milhões e (2) um impacto negativo de variação monetária de R$(1,79) bilhão associado ao impacto da desvalorização do real de -30% no trimestre sobre a parcela do endividamento denominada em moeda estrangeira (48% do total das dívidas no período);
Nossa opinião: desempenho operacional fraco, impacto cambial considerável: negativo no curto prazo, mas e no longo prazo?
Temos uma avaliação negativa dos resultados do 1T20 da Sabesp, dado que os números do EBITDA ajustado ficaram abaixo das estimativas e do consenso. Além disso, também destacamos como negativo o impacto significativo da variação monetária da depreciação do real sobre a parcela significativa dos passivos denominados em moeda estrangeira – embora tal efeito deva ser menor daqui em diante após a conversão da dívida de US$494,6 mihões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para reais.
Apesar da reação negativa de curto prazo aos resultados, notamos que o preço atual das ações da Sabesp nos permite inferir que o mercado não atribui nenhuma probabilidade que um processo de privatização ocorra no médio e longo prazo.
Isto, por outro lado, implica em um risco-retorno atrativo para as ações caso o Novo Marco Regulatório do Setor de Saneamento Básico (centrado no Projeto de Lei 4162/2019) seja aprovado em seu formato atual pelo Senado. Ainda que reconhecemos que há pouca visibilidade sobre quando tal aprovação deverá ocorrer, devido ao grande volume de Projetos de Lei relacionados aos impactos da pandemia do COVID-19 a serem apreciados pela Casa Legislativa, isso não significa que o debate sobre a melhoria de indicadores de saneamento no Brasil tenha terminado, ou seja menos importante.
Mantemos nossa recomendação Neutra nas ações da Sabesp, com preço-alvo de R$53/ação.