A CCR apresentou resultados superiores às expectativas no 1T20. O EBITDA atingiu ~R$ 1,6 bilhão, ~10% acima da nossa estimativa e 6% acima do consenso de mercado, enquanto o lucro líquido reportado foi de R$ 290 milhões, em linha nosso número e com o consenso. A diferença foi impulsionada principalmente (i) pelo tráfego superior à nossa estimativa nas rodovias, com queda no tráfego comparável de 1,4% a/a (ex-ViaSul) vs. nossa projeção de queda de ~4%, e (ii) tráfego de passageiros superior ao esperado no segmento de mobilidade urbana (3% superior ao nosso). Tais resultados foram parcialmente compensados por despesas financeiras líquidas maiores que nossas estimativas. Mantemos recomendação Neutra para as ações da CCR, tendo em vista que vemos Ecorodovias como o veículo mais atrativo dentro do setor.
Principais números do 1T20: A receita líquida consolidada (ex-construção) atingiu R$ 2,53 bilhões, ~9% acima da nossa estimativa de R$ 2,31 bilhões (+7% a/a) e ~1% acima do consenso. O EBITDA ajustado foi de R$ 1,6 bilhão (+5% a/a), ~10% acima da nossa projeção. Os custos totais em bases comparáveis cresceram ~7% a/a, para ~R$ 1.7 bilhões. A margem EBITDA ajustada foi de 62,1%, em linha com a nossa estimativa de 62%. Por fim, o lucro líquido foi de ~R$ 290 milhões, em linha com as expectativas principalmente em função de despesas financeiras superiores ao esperado, uma vez que os principais indicadores operacionais nos surpreenderam positivamente.
A CCR e a Covid-19: A empresa encerrou o 1T20 com uma alavancagem de 2,4x em termos de dívida líquida/EBITDA, mantendo ~R$ 5 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e investimentos. Em abril, a CCR captou R$ 700 milhões adicionais no nível da holding (com um custo médio de ~CDI + 3,5%/4%) e ~R$ 1,2 bilhão no nível de certas subsidiárias (ViaMobilidade, Samm, SPVias e Renovias). Além disso, a empresa anunciou outras medidas de retenção de liquidez, como (i) a suspensão do pagamento das prestações dos contratos de financiamentos com o BNDES entre abril e setembro de 2020; (ii) redução do salário e da carga de trabalho de todo o pessoal da liderança em 25%, por um período de 3 meses a partir de maio de 2020, enquanto suspende temporariamente o contrato de trabalho de alguns funcionários; e (iii) a postergação do prazo de pagamento da outorga fixa do ano de 2020 da BH Airport, de maio para dezembro desse ano.